O Halloween é conhecido também como o Dia das Bruxas. Brincadeiras à parte, o mito da mulher má, que fazia pactos com o demônio, nasceu na Idade Média, quando milhares de mulheres foram presas, acusadas de bruxaria e queimadas vivas. Hoje, elas são lembradas como figuras assustadoras, voando em vassouras e fazendo feitiços malévolos na festa do Halloween. Em outras culturas, porém, as mulheres sábias, que conhecem remédios e fazem curas, são respeitadas, procuradas pelas pessoas e, em muitos lugares, representam a fonte da sabedoria, a memória da comunidade e quase sempre, o único médico.
As primeiras punições
Depois de um longo período de paz para as bruxas, os povos europeus da Idade Média mergulharam numa longa fase de perseguições àqueles que tinham crenças diferentes das do cristianismo. Por razões econômicas e religiosas, a igreja católica assumiu a caça às bruxas, construindo a idéia de que elas eram associadas ao diabo. Em quase toda a Europa, o tratamento era o mesmo: as leis permitiam que a família da vítima punisse a bruxa. A saga irlandesa Laxdaela, do século XII, conta à história de um casal de bruxos que foram apedrejados até a morte, acusados de ter causado, com feitiços, a morte de um garoto de 12 anos.Já em 500 a.c., os franco-sálios – habitantes da região da atual França – afirmavam: "Se uma bruxa destruir um homem e houver provas de tal feito, ela deverá pagar à família da vítima uma multa de 200 shilings de ouro e uma soma menor caso a vítima apenas adoeça". A condenação à morte acontecia apenas nos casos em que a bruxa confessava sua culpa ou não podia pagar a multa. Mas os caçadores de bruxas aperfeiçoariam seus interrogatórios e cada vez mais mulheres acabariam confessando o crime de bruxaria.
Quando satanás entra na história
Depois da queda do Império Romano, a igreja católica foi à única instituição capaz de manter uma certa unidade cultural na Europa. E, com o passar do tempo, sua influência foi ficando mais e mais poderosa. Apesar disso, era comum que pessoas se declarassem cristãs, mas se mantivessem fiéis aos costumes pagãos de seus antepassados. Os povos nórdicos, por exemplo, mesmo depois de convertidos ao cristianismo, continuavam a fazer festas em homenagem a Thor. Acendiam fogueiras, realizavam antigos rituais, bebiam muito vinho e cerveja. Dançavam e cantavam.
Mesmo condenando essas práticas, a igreja não conseguia coibi-las totalmente. Apelou então para um expediente que se mostrou muito eficaz: incorporou as datas festivas pagãs ao calendário cristão. E, para acabar de vez com qualquer tipo de idolatria, passou a identificar os deuses pagãos à figura de satanás para se contrapor à figura de seus. E as punições foram se tornando mais cruéis. Em 787, um edital de Carlos Magno, dirigente do Império Romano (800 a 814), declarava: "Se alguém sacrificar um ser humano ao demônio e oferecer sacrifícios aos demônios obedecendo aos costumes pagãos, poderá ser levado à morte". O cenário para a caça às bruxas estava finalmente montado.
No início da Idade Média, a figura da bruxa má e feiosa assume seu lugar no imaginário popular. De antigas detentoras de conhecimentos milenares, ligadas à Deusa-Mãe, as feiticeiras passaram a ser vistas como "esposas do demônio", mulheres perversas capazes de todas as atrocidades.
A Inquisição espalha o terror
Primeiro, a igreja começou a perseguir os heréticos. Qualquer pessoa que interpretasse de maneira errônea os evangelhos era passível de punição. O primeiro grande tribunal público medieval contra as heresias – incluindo as bruxarias – foi organizado em Orléans, em 1022. Os réus eram reformistas que pregavam que o reino de deus estaria no coração dos homens e, por isso, as igrejas eram dispensáveis. O julgamento foi conduzido em segredo, sem a presença de um júri. Ninguém podia confrontar seus acusadores nem saber a identidade dos delatores. Foram todos condenados à fogueira.
As primeiras punições
Depois de um longo período de paz para as bruxas, os povos europeus da Idade Média mergulharam numa longa fase de perseguições àqueles que tinham crenças diferentes das do cristianismo. Por razões econômicas e religiosas, a igreja católica assumiu a caça às bruxas, construindo a idéia de que elas eram associadas ao diabo. Em quase toda a Europa, o tratamento era o mesmo: as leis permitiam que a família da vítima punisse a bruxa. A saga irlandesa Laxdaela, do século XII, conta à história de um casal de bruxos que foram apedrejados até a morte, acusados de ter causado, com feitiços, a morte de um garoto de 12 anos.Já em 500 a.c., os franco-sálios – habitantes da região da atual França – afirmavam: "Se uma bruxa destruir um homem e houver provas de tal feito, ela deverá pagar à família da vítima uma multa de 200 shilings de ouro e uma soma menor caso a vítima apenas adoeça". A condenação à morte acontecia apenas nos casos em que a bruxa confessava sua culpa ou não podia pagar a multa. Mas os caçadores de bruxas aperfeiçoariam seus interrogatórios e cada vez mais mulheres acabariam confessando o crime de bruxaria.
Quando satanás entra na história
Depois da queda do Império Romano, a igreja católica foi à única instituição capaz de manter uma certa unidade cultural na Europa. E, com o passar do tempo, sua influência foi ficando mais e mais poderosa. Apesar disso, era comum que pessoas se declarassem cristãs, mas se mantivessem fiéis aos costumes pagãos de seus antepassados. Os povos nórdicos, por exemplo, mesmo depois de convertidos ao cristianismo, continuavam a fazer festas em homenagem a Thor. Acendiam fogueiras, realizavam antigos rituais, bebiam muito vinho e cerveja. Dançavam e cantavam.
Mesmo condenando essas práticas, a igreja não conseguia coibi-las totalmente. Apelou então para um expediente que se mostrou muito eficaz: incorporou as datas festivas pagãs ao calendário cristão. E, para acabar de vez com qualquer tipo de idolatria, passou a identificar os deuses pagãos à figura de satanás para se contrapor à figura de seus. E as punições foram se tornando mais cruéis. Em 787, um edital de Carlos Magno, dirigente do Império Romano (800 a 814), declarava: "Se alguém sacrificar um ser humano ao demônio e oferecer sacrifícios aos demônios obedecendo aos costumes pagãos, poderá ser levado à morte". O cenário para a caça às bruxas estava finalmente montado.
No início da Idade Média, a figura da bruxa má e feiosa assume seu lugar no imaginário popular. De antigas detentoras de conhecimentos milenares, ligadas à Deusa-Mãe, as feiticeiras passaram a ser vistas como "esposas do demônio", mulheres perversas capazes de todas as atrocidades.
A Inquisição espalha o terror
Primeiro, a igreja começou a perseguir os heréticos. Qualquer pessoa que interpretasse de maneira errônea os evangelhos era passível de punição. O primeiro grande tribunal público medieval contra as heresias – incluindo as bruxarias – foi organizado em Orléans, em 1022. Os réus eram reformistas que pregavam que o reino de deus estaria no coração dos homens e, por isso, as igrejas eram dispensáveis. O julgamento foi conduzido em segredo, sem a presença de um júri. Ninguém podia confrontar seus acusadores nem saber a identidade dos delatores. Foram todos condenados à fogueira.
É difícil precisar o número de pessoas condenadas à morte. Uma coisa, porém, é certa: entre todos os condenados à morte por bruxaria, mais de 85% eram mulheres. Algumas cidades realizaram mais de 600 execuções por ano, uma média de duas por dia, "exceto aos domingos".
O fim das perseguições
Da mesma maneira como a caça às bruxas chegou, ela se foi. Fim da histeria coletiva? Ou indícios de que os interesses econômicos começavam a superar outros interesses? Afinal, se a matança indiscriminada trazia muitas riquezas para a Igreja, também causava prejuízos ao capitalismo que se formava. Eram milhares de trabalhadores em potencial mortos, cidades economicamente estagnadas pelo terror, pelos interrogatórios sem fim, pelas execuções em massa. A atuação da inquisição também era incompatível com a nova mentalidade científica que começava a despontar e que ficaria conhecida como Iluminismo. O mundo mais uma vez estava mudando e, neste novo horizonte que se delineava, não havia espaço para delírios espirituais.
Na Inglaterra, três velhas sofridas foram as últimas acusadas de bruxaria. Morreram enforcadas em 1682. Na França, curiosamente, a última vítima da caça às bruxas foi um homem. O frade Louis Debaraz foi queimado vivo em 1745, acusado de rezar missas para o demônio. Na Alemanha, o terror terminou em 1775, depois da execução de mais uma bruxa confessa: Anna Maria Schwagel.
Nenhuma delas voava em vassouras ou tinha verrugas no nariz, usava chapéu preto ou cozinhava aranhas, mas é assim que, infelizmente, teimamos em lembrar delas no Dia das Bruxas.

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